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Viviane Alice

AS DATAS COMEMORATIVAS NO CONTEXTO ESCOLAR: UMA REFLEXÃO
Viviane Alice de Oliveira
Mnt. História UFTO

Em momentos distintos na História do Brasil, as datas comemorativas foram interpretadas de diversas formas, como importantes instrumentos de difusão para a criação e estruturação da nação, imposição de hábitos e costumes e disseminação de uma ideologia. Portanto, sendo muitas vezes instrumentos, seja do poder governamental, seja do poder religioso, elas sempre tiveram fundamental importância para a construção da identidade da sociedade brasileira, pois, estiveram ligadas ao tempo, marcando diretamente a vida das pessoas, pois como afirma Bittencourt, “Queiramos ou não, as datas são suportes da memória” (BITTENCOURT, 2012, p. 11).
As memórias apontam para as identidades que moldam as ações dos sujeitos que as narram. Assim, são lembranças organizadas com a finalidade de defesa de um conjunto de valores a inculcar, a instituir.  São dessa forma, elementos das relações sociais de poder.  Foi com atenção para as identidades e esquecimentos da memória que nos lançamos na pesquisa sobre as comemorações escolares, pois a memória tem suas formas especificas de preservar tradições, logo são formas de poder. Ao escolher as lembranças e os esquecimentos no construto das comemorações as memórias podem funcionar como [...] “um apanágio dos conservadores e ainda mais dos nacionalistas, para quem a memória é um objetivo e um instrumento de governo” (LE GOFF, 2013, p. 424).
No Brasil, desde a Primeira República, e principalmente durante a Era Vargas, as escolas ensinam através das comemorações. Pensando com Cândido (2007), os rituais e discursos nas festas e comemorações, inculcavam principalmente para os adultos, pais e professores, um contexto social, a nova ordem que o país estava inserido, inclusive a educação estética, como a sociedade deveria ser e estar naquele momento.
As comemorações enquanto eventos escolares merecem atenção, pois compõem o calendário escolar, dando a ele uma dimensão pedagógica mais diversificada. Em sua maioria, as escolas têm certa autonomia na escolha de “o que comemorar”, porém, algumas datas são impostas pelas Secretarias de Educação e variam de acordo com as regiões. Há, portanto, uma inquietação, sobre como essas datas são transpostas em sala de aula, pois muitas vezes os eventos acontecem como eventos em si e para si, não têm diálogo com o planejamento das aulas, não entram no currículo, são organizados, comemorados no sentido do cumprimento do calendário, de forma descolada do pedagógico.
As comemorações são práticas sociais, políticas, culturais e religiosas que, se analisadas na perspectiva histórica, podem apontar para a própria história dos sujeitos nelas envolvidos. No caso das comemorações escolares esses sujeitos são os professores, alunos e demais funcionários, os mesmos que pensam e praticam o ensino.
Presumimos que tais comemorações não encontram lugar de ensino e aprendizagem no cotidiano da sala de aula. Como ocorre em quase todos universos escolares, o cotidiano do ensino de História na sala aula segue o ritmo proposto pelo currículo contido nos materiais didáticos adotados. As comemorações sejam elas políticas, religiosas ou culturais, dificilmente interferem no currículo proposto. Elas ocupam lugar de apêndices, ou seja, próximo às comemorações o conteúdo de História que seria ensinado é interrompido e os preparativos para as comemorações tomam o tempo na sala de aula. Raramente há reflexões teóricas e metodológicas sobre a atividade desenvolvida. Quando muito, os alunos são incitados a procurarem em jornais, revistas ou em sites da internet as informações sobre essa ou aquela data a comemorar. A reflexão histórica que possa gerar conhecimentos históricos significativos a partir da comemoração fica ausente do currículo.
Visando o melhor aproveitamento do trabalho comemorativo pensamos as comemorações como instrumentos de aprendizagem, pois, se despertarmos os envolvidos para as possibilidades de aprendizagem nessas festividades, as mesmas poderão se tornar momentos de ensino, uma grande oportunidade de aprendizado histórico, e não apenas uma interferência esporádica no curso do ano letivo, ou seja, as relações das comemorações com o currículo deixarão de contar apenas como cumprimento do cronograma.
Assim como são instrumentos de aprendizagem, as comemorações são também instrumentos de socialização, no entanto, devemos estar atentos quanto à comemoração enquanto expressão da cultura local, pois muitas vezes comemora-se na escola datas que estão muito distante da realidade dos alunos, por isso faz-se necessário que a investigação dessas características comemorativas sejam ligadas ao contexto social da escola, ligadas à cultura escolar, que na opinião de Forquin (1993), é um conjunto organizado de saberes de diferentes tipologias, a partir dos quais agem gestores, professores e alunos, ou seja, o que acontece na escola dialoga com o que acontece em seu entorno. Dessa forma as datas comemorativas escolares devem levar os alunos a compreenderem mais de si mesmos, suas vidas, imaginários, ou seja, devem expressar sua cultura.
Atualmente algumas comemorações escolares estão diretamente ligadas ao consumo, ao presentear, ou seja, assumem um sentido mais econômico que pedagógico como afirma Tonholo (2013):
É inegável o fato de que, hoje em dia na sociedade, algumas datas comemorativas são impulsionadas por questões comerciais. Muitas vezes, tal ideia é incorporada na escola sem maiores questionamentos. Por isso, se faz necessário partir do pressuposto de que é preciso refletir sobre a forma como são trabalhadas as datas comemorativas dentro da instituição escolar, deixando de ser apenas uma transmissão de conteúdos, apresentação de trabalhos para os pais, ou como uma forma de instigar o consumo (TONHOLO, 2013, p. 186).
O que se percebe é que há uma mobilização em torno das comemorações, de todos os sujeitos envolvidos na comunidade escolar. Os alunos se agrupam para ajudar em vários momentos desde a organização até a execução, mobilizam outros setores da comunidade, e é inegável que há uma forma de aprendizado nesses momentos de interação, no entanto o que apresentamos, é que se há a autonomia para a escolha da comemoração, há uma mobilização da comunidade escolar e há um aprendizado, então podemos contar com todas essas possibilidades e contribuir ainda mais com um aprendizado histórico significativo, desde que haja um planejamento que envolva o conteúdo proposto pelo currículo, um tempo de exploração em sala de aula, para quando acontecer a culminância do evento ele esteja revestido de sentido.
Trabalhar datas comemorativas na escola pode envolver mais do que alguns membros que constroem o calendário, é preciso que haja um planejamento interdisciplinar, pois nesses momentos toda a comunidade escolar está envolvida, por isso é importante uma reflexão sobre a continuidade em relação a algumas dessas comemorações, no sentido de pensar: quais delas se revestem de significados para os alunos e quais apenas se repetem? Se estas respeitam a diversidade cultural da comunidade envolvida e se promovem a inclusão? E dentro dessas perspectivas lançadas abordarem o aprendizado histórico que estará acontecendo, ao passo que se desdobra esse novo olhar.

Referências
BITTENCOURT, Circe (org). Dicionário de Datas da História do Brasil. 2ºed. São Paulo: Contexto 2012.
CÂNDIDO, Renata Marcílio. Cultura da Escola: as festas nas escolas públicas paulistas (1890-1930). 2007.154f.Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. São Paulo, 2007.
FORQUIN, J. C. Escola e cultura: as bases sociais e epistemológicas do conhecimento escolar. Tradução: Guacira Lopes Louro. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.
LE GOFF, Jacques. História e Memória. Trad. Bernardo Leitão (et. al.). Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2013.
TONHOLO, Thamiris Bettiol. Revista eletrônica pro-docência/UEL. Edição nº04, vol. 1, jul-dez. 2013. Disponível em: <http://www.uel.br/revistas/prodocenciafope>. Acesso em: 15 de out. 2016.




22 comentários:

  1. Prezada colega, inicialmente gostaria de parabenizar pelo tema da pesquisa, pois também trabalho com comemorações. Seguem algumas questões para ampliar o debate sobre trabalho. Em determinado momento do texto você indica que "presume" que as comemorações não encontram lugar no ensino, gostaria de saber se essa crítica é baseada apenas em uma suposição, ou em sua pesquisa conseguiu identificar exemplos em contextos/ambientes escolares específicos? E, se conseguiu pesquisar exemplos concretos, encontrou apenas experiência negativas, no sentido de "naturalizarem" valores propagados pelas comemorações, ou também encontrou exemplos positivos que conseguiram trabalhar comemorações de uma forma mais crítica?
    Eduardo Roberto Jordão Knack

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    1. Gostaria de agradecer as questões colocadas, pois enriquecem ainda mais a pesquisa. Bom, quando eu digo que presumimos que as comemorações não encontram lugar no ensino, me refiro tanto à experiencias vivenciadas enquanto professora pesquisadora em algumas comemorações, e agora também enquanto pesquisadora observadora, pois na maioria dos casos em que se comemora alguma data como o Dia da Independência por exemplo, há uma tradição a ser seguida, muitas vezes não há uma problematização quanto a simples repetição e cumprimento do cronograma, ou uma postura crítica sobre a História que pode ser ensinada e aprendida durante tal evento.
      Após um tempo relevante de pesquisa alguns casos "positivos" foram observados também, servindo inclusive de motivação quanto à pertinência da pesquisa.
      Obrigada.

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  2. Oi Viviane, tudo bem?

    Excelente texto que você escreveu!!


    De fato a questão das comemorações festivas nos espaços escolares, tem sido cada vez mais perpassados por datas alusivas a eventos históricos e culturais muito deslocados das realidades regionais e locai. Carecendo um esforço gigantesco de nós professores de história para fazermos a ponto de estreitamento entre o universo de nossos alunos.

    Sendo assim, como você avalia a receptividade do feriado nacional 21 de abril nos espaços escolares mais deslocados, como o Nordeste por exemplo??

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    1. Obrigada Luiz pela leitura de meu texto!
      Moro em uma cidade da Região Norte, neste caso as comemorações escolares nacionais como o 21 de abril por exemplo passam como apenas um feriado onde a maioria dos alunos não sabem sequer a que se refere, e assim acontece com muitos outros como a Proclamação da República e assim por diante.
      Não tenho pesquisas ainda em áreas como o Nordeste, mas como minha localidade é também deslocada acredito que aconteça da mesma forma.
      Minha pesquisa procura no mínimo provocar algum debate nas escolas pesquisadas a respeito de uma escolha mais crítica sobre as comemorações escolares e que se possa assim pensar na importância das mesmas para a localidade.
      Obrigada.

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  3. Oi Viviane, tudo bem?

    Excelente texto que você escreveu!!


    De fato a questão das comemorações festivas nos espaços escolares, tem sido cada vez mais perpassados por datas alusivas a eventos históricos e culturais muito deslocados das realidades regionais e locai. Carecendo um esforço gigantesco de nós professores de história para fazermos a ponto de estreitamento entre o universo de nossos alunos.

    Sendo assim, como você avalia a receptividade do feriado nacional 21 de abril nos espaços escolares mais deslocados, como o Nordeste por exemplo??

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  4. Boa tarde Viviane!

    Parabenizo-a pelo tema escolhido e pela forma com que este foi abordado.
    Sabemos da importância de se trabalhar algumas datas comemorativas no contexto escolar, no entanto alguns destes temas só são trabalhados quando se há uma data especifica.

    Gostaria de saber qual a sua visão\opinião sobre as datas comemorativas que são trabalhadas no contexto educativo de forma isolada dos demais conteúdos e somente em uma determinada data ?

    Att: Marjorie Sansigolo

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    1. Boa tarde Marjorie!
      Agradeço pela leitura do texto e aos apontamentos.
      As datas comemorativas são muito importantes para o Ensino de História pois resgatam a memória e podem ser compreendidas em um contexto social muito amplo, porém, da forma como tem sido trabalhadas na maioria dos casos pesquisados e vivenciados, a comemoração fica de fato isolada dos conteúdos, ou seja, aparecem como apêndices, não são aproveitadas em seu contexto histórico ou trabalhadas em sala de aula como currículo, se tornando dessa forma para alunos e professores quase sempre o cumprimento do cronograma anual.

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  5. Boa noite!
    Infelizmente nos dias de hoje muitas datas comemorativas são sim impulsionadas pelo comércio. Como nós, professores de História, podemos conscientizar nos alunos, em sala de aula, de que todas as datas merecem comemoração independente dos lucros comerciais?

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    1. Boa tarde!
      É verdade que atualmente algumas comemorações estão propagando o consumo, o "presentear", na sociedade e assim também nas escolas.
      Porém nós enquanto professores de História vemos a necessidade de que a escolha das datas comemoradas ao longo do calendário escolar passe por uma reflexão que envolva toda a comunidade escolar, levando em conta o aprendizado que pode ser realizado durante alguns eventos, tendo este como objetivo a ser alcançado "independente dos lucros comerciais".
      Além de uma reflexão quanto à escolha, se faz necessário também, um trabalho em sala de aula sobre o contexto das comemorações para que os alunos percebam não apenas o evento em si, mas a problemática que os envolve.

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  6. Olá Viviane,

    Sua temática é bem pertinente a todos os anos letivos. A data comemorativa ganha status ou de feriado ou de homenagem que reafirma os mesmos significados simbólicos, raramente questionando-os. Considerando, que muitas vezes esses rituais de homenagem ficam nas mãos de professores sem um conhecimento mais aprofundado, continuamos a observar grandes absurdos.

    Parabéns pelo texto!

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    1. Obrigada Maicon!
      Bem colocado quando você disse que continuamos observar grandes absurdos, em alguns casos nem mesmo as comemorações locais ganham algum tipo de tratamento didático em sala de aula!

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  7. Boa tarde, gostei muito de teu texto, eu particularmente gosto muito de datas comemorativas, pois da para se trabalhar muitos viés dessas datas, seus significados, origens e os atores envolvidos na data. Nas escola que trabalho as datas comemorativas fazem parte da rotina da escola, o que temos desenvolvido bem. Gostaria de saber dentro de História quais os melhores caminhos para trabalharmos estes conteúdos?

    Dione Pereira Barbosa

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    1. Boa tarde Dione!
      Obrigada pela leitura do texto!
      Em minha pesquisa encontrei casos de escolas que realmente desenvolvem muito bem toda a filosofia que envolve as comemorações.
      Dentro do Ensino de História existem várias metodologias que podem ser utilizadas, que vão desde o uso de imagens, preparação de um teatro, assistência fílmica, entre outros, porém, acredito que todas as metodologias tem grande validade principalmente se o professor conseguir estreitar as relações entre o conteúdo a ser ensinado no currículo, as datas comemorativas de um âmbito geral ou nacional para o particular que envolveria o cotidiano dos alunos, a História de sua localidade ou de sua região por exemplo.

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  8. Boa tarde Viviane, tudo bem?

    Quais seriam as propostas para que possamos promover a inclusão dos agentes excluídos de determinada comunidade?

    Abraços

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    1. Boa noite! Obrigada pela leitura!
      As comemorações escolares são ótimas oportunidades de inclusão, os alunos, professores e toda a comunidade escolar quando envolvida na organização e produção criam na maioria das vezes um ambiente agradável de interação, dessa forma, propício para abertura a uma diversidade cultural que nem sempre acontece tão tranquila na sala de aula.
      As proposta devem variar de acordo com a realidade da região, cidade e até bairro, pois em alguns casos por exemplo o Dia da Consciência Negra seria o momento ideal para discutir a diversidade, enquanto em outros seria mais adequado no Dia do Índio, cada escola atende a uma diversidade diferente, as propostas metodológicas devem ser discutidas pelos agentes da educação local, porém propostas como debate, música, teatro por exemplo podem funcionar em várias realidades diferentes.

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  9. Boa noite Viviane!
    Ótimo texto!

    Você acha que nos dias atuais as datas comemorativas cívicas são de relevância a "comemoração"?, uma vez que, o processo final "vira" folga do serviço (em algumas vezes)? ... me interessa muito o seu parecer.
    Obrigado
    Jônatas Fernandes Pereira

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    1. Boa noite Jonatas! Obrigada pela leitura!
      As datas cívicas tem sim relevância, mesmo que nos dias atuais, o civismo já não tem tanto significado para a juventude, devido a mudanças históricas e sociais, enfim, o fato é que em muitas localidades datas cívicas ainda são muito comemoradas, mesmo que com sentido diversificado. O desfile da Independência no 07 de setembro em muitas cidades ainda significa um espetáculo que atrai muitos espectadores. Dessa forma a relevância não está no evento em si, como acontece na maioria dos casos, estaria no uso desse evento como momento de reflexão sobre a História do país, sobre a data e seu significado, muito poderia se aproveitar e desenvolver aprendizado histórico em datas cívicas, porém seria necessário toda uma teia de informações e reflexões a serem discutidas antes do evento e antes da inclusão do mesmo no calendário.

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  10. Olá Viviane, boa noite!
    Seu texto é maravilhoso de fácil leitura e estrutura. Sou acadêmica de Pedagogia e moro no norte do país no estado do Pará e lendo seu texto identifiquei uma questão na comemoração do dia do índio por exemplo vejo que nossas escolas na maioria das vezes apenas pintam o rosto das crianças e cantam a música do ondiozinho e ainda caracterizam as crianças,mas se perguntarmos para a criança quem é o índio e qual a importância dele para nosso país elas não respondem. Com base em sua pesquisa como resolver essa questão? E ela se problematiza na escola ou governo?


    KÉDNA PINHEIRO VIEIRA

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    1. Boa noite Kedna! Obrigada pela leitura do texto!
      Em muitos casos pesquisados, é verdade que as comemorações são simplesmente apêndices do calendário, algo imposto, naturalizado. No entanto a comemoração do Dia do Índio é de uma complexidade absurda, devido a todas as premissas históricas que deveriam ser levadas em conta simplesmente pelo fato de haver um dia para tal. Essa data somente, poderia desdobrar em inúmeras discussões, que poderiam gerar várias reflexões, mas enfim a questão colocada é: as crianças mesmo caracterizadas de índios não saberem o significado nem a relevância do mesmo, ou seja, percebemos que não houve uma reflexão acerca de comemorar ou não, de trabalhar previamente o tema em sala de aula, ou até mesmo se haveria na escola uma pessoa preparada para tal reflexão com os alunos, pois sabemos que nos cursos de graduação em História nem sempre os futuros professores tem uma formação adequada.
      Porém , enquanto a resolução governamental que seria a formação adequada de profissionais, acontece tão lentamente, se faz necessário que na escola, se faça uma reflexão da continuidade e do desdobramento de tal data e se a mesma vem contribuir com o ensino aprendizagem histórico.

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  11. Olá Viviane, parabéns pelo texto. Gostaria de saber se você acredita ser possível utilizar as datas comemorativas com forma de debate, conscientização, promoção do debate entre os educandos, ao invés de cumprimento de um ritual por vezes sem colaboração para a construção de uma consciência politica e social. E a pergunta mais difícil: como fazer isso?

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  12. Olá Talita, obrigada pela leitura!
    Acredito que sim, pois a viabilidade de minha pesquisa está na resposta à esta pergunta, as comemorações podem ser utilizadas como prática didático-pedagógica em todas as disciplinas, e no ensino de História principalmente, pois são expressões da memória coletiva e da identidade de muitos povos.
    A questão do debate e conscientização entre os educandos pode acontecer sempre, desde que antes que cheguem a eles, esses eventos escolares que usam as datas comemorativas sejam refletidos pela comunidade escolar quanto à sua pertinência, organização e temática a ser trabalhada em sala de aula e fora dela, pois se aprende em todos os ambientes escolares.
    Acredito que após a reflexão, discussão e elaboração de uma calendário de datas a serem comemoradas na escola, os professores de História juntamente com as demais disciplinas poderão então encontrar a melhor metodologia a ser desenvolvida de acordo com a realidade de cada escola.

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  13. Muito bom seu texto!

    Sou aluna do Curso de Formação Docente, e gostaria de saber se em sua opinião as escolas públicas e os profissionais das mesmas estão preparados para trabalhar coerentemente, valorizando e aprofundando as datas comemorativas?

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